Segurança a bordo: defina as regras

Técnicas Cursos Velejar 09 março de 2019

Falar de segurança a bordo nunca é demais.

Muitos velejadores tendem a subestimar o assunto, especialmente quando eles vão ganhando experiência.

Surge uma espécie de consciência errada na qual se tornam convencidos de que a maioria das situações de emergência nunca vai acontecer.

Temos que entender que o mar é um ambiente hostil, razão pela qual dependemos totalmente da nossa preparação e dos nossos equipamentos.

Existe um ditado que fala que a maneira de resolver situações de emergência é de se preparar para elas.

Lembramos, antes de tudo, que a responsabilidade da segurança a bordo é totalmente do comandante. Isso significa simplesmente que é dele o papel de preparar o barco à tripulação e definir as regras de segurança.

Daremos aqui algumas orientações baseadas em anos de experiência de navegação.

Considere a meteorologia

Parece óbvio, mas garanto que muitas vezes é o que não se faz com suficiente profundidade.

Levar em conta a meteorologia significa informar-se sobre as condições que serão encontradas, e, por consequência, tomar as decisões necessárias, incluindo ficar no porto por mais um dia, caso haja necessidade, ou renunciar ao cruzeiro planejado.

A pior decisão, e uma das causas mais comuns de acidentes, é ignorar as precauções habituais para manter um calendário ou respeitar uma data de chegada. Por exemplo, quando você aluga um barco e quer desfrutar cada dia que  pagou, decidindo, com um pouco de irresponsabilidade, que no final a previsão do vento e do mar não é tão ruim como previsto.

Adapte-se à tripulação

Para cada tripulação, um cruzeiro!

Antes de zarpar, você tem que se perguntar com quem você está, quais são as habilidades e desejos dos membros da tripulação que estão a bordo. Fazer uma longa perna de uma semana pode ser fácil  se você já conhece a área e se a tripulação é treinada o suficiente para enfrentar seus turnos no leme. Caso contrário, tome cuidado! Membros da tripulação que estão doentes, ou pior, assustados, podem transformar rapidamente o cruzeiro em um pesadelo, ou até mesmo criar situações perigosas.

O melhor é dar a si mesmo metas que sejam mais do que razoáveis. Pode sempre ficar um pouco mais ousado se sentir, depois de alguns dias, que todo mundo quer ir um pouco mais longe. Por outro lado, tenha cuidado para não ser influenciado por colegas de equipe que sejam ousados ​​demais, que possam fazer com que você corra riscos desnecessários. E fique firme nas regras do quadro que você definiu!

Conheça o seu barco, mantenha-o

A lista é longa de todas as pequenas coisas que podem se quebrar a bordo, com consequências mais ou menos inconvenientes para um cruzeiro.

A manutenção regular de seu barco e a verificação de pontos sensíveis – equipamentos, velas, motor, válvulas e cascos – são uma garantia de segurança a bordo.

Em um barco alugado, aproveite a presença do locador no momento do check in para fazer controles mais minuciosos com ele. Vasculhe o barco, levante tabuado, verifique a condição da corrente de âncora, por exemplo.

Definir regras de segurança a bordo e cumpri-las

Devemos usar o colete permanentemente, aproveitar quando o vento excede a força 5,  instalar a linha de vida, proibir que alguém ande pelo convés em noites de navegação? Não há resposta definitiva! Cabe a cada um definir suas próprias regras, de acordo com sua experiência, sua tripulação e as condições.

Alguns usam colete salva-vidas quando as condições ficam um pouco difíceis e durante a noite e para manobrar no convés com tempo pesado, deixando o resto a uma analise do momento, dependendo do tempo e do estado da tripulação. O essencial é permanecer vigilante e confiar um no outro.

Saiba como usar equipamentos de resgate

Embarcar o equipamento de segurança regulamentar – foguetes, balsa salva-vidas – é bom, mas não é suficiente tê-los a bordo para estar a salvo do perigo. Ainda assim, é necessário saber como usá-lo, o que não é tão óbvio quanto se acredita.

Você já lançou um foguete de pára-quedas? Usou um bote salva-vidas? Geralmente se faz esta experiência somente nos cursos específicos de segurança a bordo. Se recomendo esse tipo de experiência, muito útil, para todos.

Por padrão, deve-se pelo menos ler as instruções sobre a liberação da balsa salva-vidas (está escrito nela) e sobre o equipamento pirotécnico, antes de ser obrigado a precisar dele.

Compartilhe as informações

Dúvida e incompreensão são os vizinhos imediatos do medo, do cansaço e do enjoo, Informe a tripulação do que eles estão fazendo, avise-os quando as condições do vento ou do mar vão mudar. É a melhor maneira de instalar um clima de segurança e serenidade – mesmo quando a situação está se deteriorando.

Antes de enfrentar situações de navegação um pouco mais duras do que o esperado, prepare a tripulação para a nova situação, evitando o efeito da surpresa que muitas vezes gera apreensão.

Da mesma forma, um bom conhecimento do barco e suas ferramentas é importante. Novos tripulantes ou velejadores devem saber qual botão o VHF pressiona para pedir ajuda, como ligar o motor e tomar pelo menos uma vez o leme.

O que fazer antes de zarpar:

  1. Faça sempre um pequeno briefing de segurança a bordo. Lembre a todos onde estão os coletes, como é o uso do VHF, onde estão os foguetes, etc.
  2. Estabelecer as regras e torná-las conhecidas. Por exemplo, nós não saímos no convés sem sapatos, usamos o colete quando o capitão achar necessário, à noite.
  3. Experimente os cintos de segurança e a linha de vida antes de zarpar. Todos devem ter seu próprio cinto, identificado ou marcado em seu nome e ajustados ao seu tamanho. Não será em plena rajada de vento, com um barco adernado de 30 graus que o ajustará. Quem não possui este equipamento deve estar preparado a deixar o convés quando o comandante ordenar e não sair do barco até nova ordem.

O que não fazer:

  1. Supor que todo mundo saiba. O que é óbvio para você não é necessariamente óbvio para alguém que não está acostumado a navegar. Lembre-se das regras essenciais, pense nas manobras antes de executá-las, certifique-se de que todos saibam o que fazer.
  2. Subestimar os sinais de fadiga ou stress de um membro da tripulação. É melhor se preocupar com o bem-estar de um membro da tripulação, desde os primeiros sinais do que ter que cuidar de um dele doente a bordo.
  3. Não dê ouvidos aos imprudentes. Um capitão, responsável por sua tripulação, não deve deixar-se arrastar por um membro da tripulação que se atreva em uma navegação, a qual não tem certeza de dominar.
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